Efeitos da crise na agricultura brasileira

Agricultura x Crise

Agricultura x Crise

A agricultura se desenvolve em ciclos. Em períodos curtos de tempo, passa por altos e baixos, no médio/longo prazo, no entanto, é sempre evolutiva. Isso é explicado porque a demanda por alimentos e energia é de crescimento constante.

Contribuem para os períodos de crise, entre outros fatores, adversidades climáticas, escassez de financiamento para o período que vai do plantio à venda, preços não remuneradores no mercado, falta de planejamento e governos omissos com o setor.


Muitos agricultores estão endividados e não conseguem obter financiamento para comprar máquinas e insumos. Mesmo produtores mais capitalizados estão temerosos e seguram o dinheiro para autofinanciar o próximo plantio. A cautela que se instaurou nas fazendas se reflete nos negócios da cidade.

É conflitante com a crise quando observamos hoje o valor pago por produtos como a soja. Embora o período de cotações recordes tenha ficado para trás, os preços reagiram e estão em um patamar positivo. Isso ressalta que a crise internacional mostra seu efeito sobre o crédito. Desde setembro de 2008, as fontes de recursos privados secaram – especialmente os financiamentos providos por tradings e fornecedores de insumos.

Com isso, ressurgiram com força problemas antigos, como o alto endividamento. Há décadas a dívida agrícola vem sendo rolada – e não para de crescer. O agronegócio acaba de concluir mais uma renegociação de 75 bilhões de reais em débitos, cujo pagamento foi parcelado. Nem assim o problema foi sanado.
O alto endividamento é resultado do viciado sistema de crédito rural em vigor no Brasil há décadas. “A agricultura é uma atividade de risco, mas os produtores sempre apostam numa renegociação de juros e dilatação de prazos”, diz o economista Gervásio Castro de Rezende, professor da Universidade Federal Fluminense. Desde 2000, as operações de crédito rural quadruplicaram, atingindo o montante de 106 bilhões de reais, o que equivale a quase dois terços do produto interno bruto agropecuário.

Estimativas da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso apontam que 70% dos 100. 000 produtores do estado expandiram seus negócios à base de financiamentos. É claro que crédito é fundamental para a expansão de qualquer setor da economia. O problema é que, nesse caso, ele se tornou uma espécie de dinheiro fácil, estimulado pela certeza de repactuações cíclicas dos débitos. “Há 20 anos estamos renegociando dívidas. Se nada for feito, daqui a 20 anos estaremos na mesma situação”, diz Luiz Carlos Guedes Pinto, vice-presidente do Banco do Brasil e ex-ministro da Agricultura.

Produtores e associações ruralistas temem que a falta de crédito contamine a próxima safra, cuja fase de compra de insumos deveria ter começado – mas não começou – em março. Para tentar melhorar a situação, no final do mês o Banco do Brasil antecipou a liberação de recursos para a aquisição de fertilizantes e sementes. A instituição também deve aumentar em 20% o volume de crédito para a próxima safra, passando de 35 bilhões de reais para 42 bilhões.

A histórica redução da taxa Selic em um ponto percentual, de 10,25% para 9,25%, foi positiva para o setor agrícola, pois abre espaço para conter a entrada do dólar na economia brasileira. É a primeira vez desde a criação do Copom, em junho de 1996, que a Selic atinge o patamar de um dígito.

O Plano Agrícola e Pecuário 2009/2010 será anunciado no dia 22/06/09, em solenidade a partir das 15 horas, em Londrina/PR. Dos R$ 93 bilhões previstos para o programa, R$ 12,3 bilhões servirão como capital de giro para as agroindústrias.

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